Estado Emocional da Liderança em Saúde

 Um líder, gestor, de saúde é muito mais que um executivo com conhecimentos técnicos de gestão e comunicação. Ele se torna o referencial. Dele partem as emoções que norteiam o dia a dia das organizações, e com isso, seu resultado. As demandas dos serviços de saúde são complexas, e estamos falando de empresas cujo seu principal produto/serviço é cuidar de pessoas vulneráveis.

 O cliente adoecido, na ânsia de ter a sua necessidade satisfeita, pode tornar-se muito exigente e intransigente. Este, desconsidera que é atendido e cuidado por outro ser humano, o qual também possui suas próprias necessidades e dificuldades. Quando não há essa empatia e entendimento mínimo, gera-se uma expectativa não atendida do cliente, além de sobrecarga do profissional, entre outras insatisfações.

 O líder em saúde que não consegue olhar para os seus profissionais em suas dificuldades, poderá ter toda a sua operação comprometida. Temos no mercado muitos profissionais da saúde adoecidos, sofrendo de Burnout e descontentes com o que ganham. O resultado negativo dessas variáveis necessariamente afetará o Líder da organização. Muitas vezes, apenas seus conceitos técnicos não irão solucionar essa equação. Por isso, o líder precisa estar além da tecnicidade, ele precisa ser um ser humano empático. Precisa ser uma fonte, ser o equilíbrio emocional da organização.

 Ao se falar de equilíbrio emocional atualmente, com um mercado competitivo, acelerado, e muitas vezes, canibal, parece utopia. Mas não é! Trata-se da ferramenta mais essencial de qualquer liderança. Sob estados emocionais é que se tomam decisões, e que também se gerenciam pessoas. É onde se perde ou se ganha.

 A lista de exigências que um líder precisa cumprir não tem fim, mas os mais competentes, conseguem entregar o que a sociedade precisa. Estamos falando de saúde e bem-estar, logo, estamos falando de necessidades básicas do ser humano. Sendo assim, o estado emocional determina a caminhada e o resultado do líder, e esse conceito nós não aprendemos na universidade. Se duvidar, ela nos deixa ainda mais ansiosos e perdidos com seus anseios mercadológicos. A essência da estabilidade emocional do ser humano está no conhecimento profundo de suas potencialidades, valores e caminho (missão). Somente atrelado a suas verdades mais profundas (autoconhecimento) é que ele consegue superar os desafios que lhe são propostos. Qualquer pessoa que almeje ser executivo em saúde vai precisar de uma dose extra de estabilidade emocional. Vai precisar dedicar tempo para desenvolver essa habilidade. Ser técnico sim, mas ser humano, também.

 Vivemos em um tempo onde as diferenças estão muito estampadas. As pessoas são diferentes umas das outras e não possuem mais receio de expor isso, o que é bom. Entretanto, quem sabe lidar com essas diferenças no ambiente de trabalho e vê-las como agentes complementares? Poucos. Pouquíssimos! Quando falamos de liderança organizacional, estamos falando de uma empresa que possui um propósito, ou ao menos deveria possuir, e que todos que voluntariamente lá estão, o fazem por concordarem em contribuir com a construção desse propósito (a visão da empresa). Logo, o propósito deve ser maior que as diferenças. É necessário engajar a conscientização do papel de cada um, valorizando suas potencialidades individuais, e instruindo na administração das dificuldades, e isso é um enorme desafio. Somente os líderes estáveis emocionalmente o fazem. Porque unir toda a estrutura de uma empresa (física, humana, processos, clientes, governo) e fazer ela funcionar como uma engrenagem perfeita é utopia, o máximo que se consegue é minimizar os prejuízos e potencializar os resultados. Não acredito em empresas que conseguem rodar a 100%. Afinal, o que é ser 100%? Muitas vezes, é justamente a negação dos fatos dessa complexidade, que faz a pessoa desanimar da carreira no meio do caminho. Ser uma liderança assertiva não é fácil. Contudo, ela é a solução da maioria dos problemas e dores do mundo.

 A área da saúde está carente de profissionais que unem esses conhecimentos em prol do crescimento do setor. Estamos em um mercado que atende indivíduos que adoecem porque não se autoconhecem, sendo atendidos por outros indivíduos que também não se reconhecem e que são geridos por líderes que se conhecem ainda menos. Quantos efeitos negativos dessa ignorância humana estamos tendo que lidar nos dias atuais? Já são 12 milhões de pessoas depressivas no mundo, e temos as doenças cardiovasculares como a maior causa de mortes no planeta, seguido pelo câncer, entre outras. Aumenta o número de mortes por dependência de opioides, dispara o vício e a violência. Onde está a centralidade do problema dos altos custos em saúde e da baixa efetividade? Ao meu ver, está na Liderança.

 Por uma liderança mais consciente, livre, autêntica e sobretudo: humana.

 

Danilo da Rosa Patrício
Gestor em Saúde
CEO da Bem Viver
Personal e Professional Coach
FGV EAESP / CEAHS – São Paulo/SP
SB Coaching – São Paulo/SP

 

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