Uma nova e responsável Gestão Ambulatorial da Saúde.

Sou um jovem gestor de saúde ambulatorial e, em minha atuação, busco inovar nos processos gerenciais. Como líder preciso conhecer um pouco de cada coisa, por isso leio sobre tudo: ciência, opiniões e experiências. Analiso os dados existentes, tanto em conteúdo teórico quanto em resultados práticos, e vejo que os resultados atuais não servem de referência para mim. São ruins! A população não experimenta saúde. Na verdade, eu nem sei se podemos chamar de saúde o que vemos como maioria hoje no Brasil.

Um enorme mercado de clínicas populares tem ganhado espaço, amparados por intermediadores de clube de benefícios. Se por um lado ganha-se em mercado, por outro, perde-se em geração efetiva de saúde. A rápida consulta para aquisição de um medicamento ou de um atestado apaga um incêndio, gerando outro muito maior imediatamente depois: as pessoas estão cronicamente adoecidas. O novo mercado ataca o efeito e não a causa dos problemas. A verdade é que poucos centros clínicos entendem promoção de saúde integral e multidisciplinar. Não bastam métodos, é necessário corrigir a visão e a consciência dos atores. Uma consciência profunda do que é ser um profissional da saúde. Tudo parte da liderança, desde as de alto escalão – como governos e grandes empresas, até diretores de pequenos e médios centros clínicos. A grande verdade é que essas intervenções segmentadas, superficiais e puramente mercadológicas não servem para gerar saúde, mas sim para atrasá-la. Não dá para cuidar do paciente de maneira integral, analisar seus ambientes, ensinar, corrigir, acompanhar e depois ensiná-lo novamente pelos meios de trabalho que são oferecidos. Porém é o que acontece, a nível ambulatorial, paga-se pouco ao prestador e este não consegue fazer gestão de saúde, somente gestão de doenças.

O que se pode dizer dos 38% dos atendimentos gerais em saúde que são prestados por operados de planos de saúde? A alta sinistralidade de exames e cirurgias roubou o investimento da atenção básica efetiva. Este pelo menos é o discurso. Eu, de verdade, não sei onde o mercado de operadoras de seguros de saúde vai parar se não mudar a mentalidade. A conta é bem simples de entender: consultas rápidas, muitos exames, padrão de consultas e reconsultas a cada dor, cronicidade e insuficiência financeira. Por que não partimos para consultas mais demoradas, bem remuneradas, com exame físico adequado, gestão e educação em saúde e qualificação de prestadores? O caminho seria mais sustentável para toda a cadeia. O problema é encontrar espaço para esses debates. São poucos que estão dispostos a conversar – integrar – experiências, necessidades e soluções.

O que dizer também de profissionais da saúde? Não sabem sentar em uma mesa multidisciplinar para discutir interdisciplinaridade. Estamos fartos de profissionais autônomos sabidões. Não há humildade, empatia e troca. São as condutas individualistas que tem provocado o caos. A individualidade é tão problemática que tem adoecido toda uma cadeira de profissionais da saúde, sem que eles se deem conta disso. A grande verdade é que muitos profissionais não entenderam ainda o que é gestão de saúde compartilhada, eles mesmos são a própria extensão da doença.

Foi analisando os resultados atuais que decidi traçar uma rota completamente diferente para minhas atuações. Meu objetivo tem sido gerar saúde pela base: conhecimento aplicado e emocionalmente integrado ao básico primeiro. Eu resolvi cuidar e treinar primeiramente os atores principais: os profissionais – da assistência à liderança. Busco constantemente desenvolvê-los para serem a extensão da saúde, da plenitude e da qualidade de vida, nunca o contrário! Somente dessa forma observei ser possível trabalharmos um ambiente de saúde verdadeiro e saudável, pois só entregamos do que somos e temos, nunca o contrário. Estamos reconstruindo conceitos, padrões assistenciais e gerenciais. Estamos vivendo em um verdadeiro laboratório, quebrando paradigmas. O trabalho tem sido muito enriquecedor! É um projeto testado e vivido na vida real de um serviço ambulatorial. Nós queremos transformar começando por nós mesmos, sendo gentes transformadores. Temos muito para avançar. Estamos só no começo!

Danilo da Rosa Patrício
CEO Bem Viver
Gestor em Saúde

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